Nada do que ela diz é verdade, afirma Marco Feliciano no Conexão Repórter
Deputado compara sua vida com a de José do Egito, que foi vítima de calúnia
Foto: Divulgação.
O programa Conexão Repórter do SBT, apresentado por Roberto Cabrini, que foi ao ar na madrugada desta segunda (15), abordou o caso envolvendo o deputado Marco Feliciano (PSC/SP) e que tem sido amplamente noticiado nas últimas duas semanas.
Cheio de reviravoltas, contradições e com muitos detalhes que ainda precisam ser esclarecidos, as denúncias da estudante de jornalismo Patrícia Lelis, 22 anos, dão conta que ela foi assediada, agredida e vítima de uma tentativa de estupro por parte de Feliciano.
O deputado sempre negou as acusações, mas vinha mantendo silêncio desde que a história vazou para a imprensa, no último dia 3.
Ao longo de uma hora, Cabrini mostrou várias versões do que teria acontecido, que incluíam duas entrevistas com Patrícia e uma com o parlamentar. Também ouviu Talma Bauer e Roberto Biazon, que são elementos-chave dentro da trama que parece ter saído de uma produção de Hollywood.
A polícia está investigando o caso em duas frentes, pois Patrícia registrou dois Boletins de Ocorrência (BO) diferentes. Em São Paulo, denunciou Talma Bauer, Emerson Biazon e Marcelo Carvalho por coação e cárcere privado. Já na capital federal as acusações são contra Marco Feliciano por assédio sexual.
Logo no início, o Conexão Repórter lembrou as polêmicas na trajetória política de Feliciano, chamado de “radical”, “moralista” e “homofóbico”. Foram apresentadas as versões do deputado, da jovem que o acusa, do chefe de gabinete e de um dos ‘intermediários’ de Patrícia.
Os primeiros minutos mostraram uma visita ao apartamento ocupado pelo congressista em Brasília, onde a jovem alega que o crime ocorreu. Aparentando tranquilidade, Feliciano começa a entrevista afirmando que está falando a verdade, pois nesse momento “Ao faltar com a verdade iria destruir com a minha vida”.
Disse que não teria problemas em admitir seus erros, mas não tem o que confessar. Classificou os relatos de Patrícia como uma “História fantasiosa, lunática”, insistindo que se trata de injúria e calúnia contra ela.
Ao subir no prédio para realizar a entrevista, o jornalista do SBT mostrou que é necessário fazer um registro na portaria. Não há nenhuma entrada com o nome da estudante nos livros de entrada do prédio, o que indicaria que Patrícia nunca esteve na residência do pastor.
Feliciano também questiona alguns pontos do relato da estudante, a qual insiste que o estupro só não se consumou por que uma mulher que estava no corredor do prédio teria ouvido seus gritos e batido na porta do apartamento.
Ela nunca foi identificada. Insiste na tese de que não haveria motivos para ela demorar 40 dias para procurar a polícia, mostrando convicção que pode haver “alguém” querendo lhe prejudicar com tudo isso.
O principal argumento de defesa do parlamentar do PSC é que na data e horário em que Lélis relatou no B.O como o momento das agressões, Feliciano estava em audiência com o ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira. Fato confirmado pelas imagens das câmeras de segurança do prédio. O pastor ficou mais de uma hora no local e também há registros do momento em que ele sai.
Esse não é o único problema na versão de Patrícia. Nos dois relatos feitos a polícia ela caiu em contradição, indicou endereços diferentes. Nenhum deles correspondem ao local onde o deputado mora. “Ela nunca entrou aqui”, assegurou o parlamentar a Cabrini, ao falar sobre a sua residência. Além de negar qualquer tipo de relacionamento com a estudante, o pastor explicou que esteve com ela apenas três vezes e nenhuma delas os dois estiveram sozinhos.
Ao repórter disse não ter conhecimento das negociações de seu assessor com Patrícia, ignora o porquê ele ter dado dinheiro a ela. Diz que o dinheiro não é seu nem foi dado por sua ordem. Garantiu que só tomou conhecimento dessa situação pela imprensa.
O pastor assegurou ter convicção que “Deus é justo” e comparou toda essa situação com o que passou José do Egito. Dirigindo-se aos evangélicos, Feliciano lembrou que o personagem bíblico “foi condenado por uma calúnia. José foi preso, mas eu não serei”.

