13/07/2016

Cidade de São Paulo enfrenta o maior surto de caxumba da década

Por Metro
Foto: Reprodução/Band. Foto: Reprodução/Band.

 Vivendo o maior surto de caxumba da década, São Paulo tem, em média, quase 4 casos por dia. Até o dia 2 de julho deste ano, 684 pessoas contraíram a doença, segundo dados da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde). No ano passado inteiro, a cidade registrou 284.

 

No Estado, a situação se repete. Até o dia 16 de junho, foram registrados 842 casos, resultado maior que o ano de 2015 inteiro (veja quadro abaixo) e o maior número desde 2008. Nessas contas estão apenas casos dentro de surtos – dois casos dentro de um lugar específico – pois ocorrências individuais não são notificadas.

 

Para Rosa Nakazaki, coordenadora do Centro de Controle de Doenças da Covisa, o número de doses da vacina pode explicar a explosão de infectados. Antes, a prevenção consistia em apenas uma dose da tríplice viral, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola.

 

A partir de junho de 2012, começou a ser aplicada, como segunda dose, a vacina tetraviral – que acrescenta proteção contra catapora – com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.

 

Mas nem todo mundo tomou. “Quando fizemos bloqueio dos locais de surto, percebemos que até 44% das pessoas em contato com os casos não tomaram todas as doses da vacina e a maioria tinha entre 10 e 29 anos de idade”, conta.

 

Assim, a doença, que era comum em crianças, vem atingindo cada vez mais a população jovem e adulta. Rosa ainda reforça: “Quem ainda não tomou é bom completar, inclusive os adultos.”

 

A estudante Giulia Albuquerque, 21 anos, se encaixa no quadro. Ela tomou apenas a primeira dose da vacina e teve catapora no começo do mês passado.

 

Como a transmissão é fácil –basta entrar em contato com partículas do doente–, ela contraiu da mãe. “Mesmo usando máscara e não fazendo as refeições na sala de almoço da família, eu acabei pegando” contou.

 

O tratamento é o repouso e, para a estudante, a pior parte: “Fiquei deitada por 25 dias sem poder sair de casa, foi horrível”.

 

O vírus provoca a inflamação das glândulas salivares, mas pode também inflamar outras glândulas, como os testículos e os ovários. Nesse caso, tanto o homem quanto a mulher correm o risco de ficar estéreis, mas Rosa afirma: “É uma ocorrência relativamente pequena”.

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