02/06/2016

Sem cumprir promessas, Haddad só elege culpados de fora da sua gestão

Por Leandro Machado/Folha de S. Paulo
Foto: Reprodução. Foto: Reprodução.

 Boa parte das principais metas da gestão do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), em áreas como educação, transporte e habitação não será cumprida até o fim do mandato, em dezembro deste ano. Para justificar o atraso, o petista só costuma culpar fatores externos.

 

Haddad responsabiliza o TCM (Tribunal de Contas do Município), a Justiça, a tarifa de ônibus e o IPTU congelados por pressão das ruas e da oposição, e, principalmente, o governo federal, que era comandado, até o começo do mês passado, pela colega de partido Dilma Rousseff.

 

O prefeito prometeu, por exemplo, construir 150 km de corredores de ônibus. Até agora, a poucos meses do fim do seu mandato, apenas

34,4 km foram entregues. Outros 20 km estão em obras.

 

Para Haddad, a lentidão ocorreu por causa da interrupção dos repasses do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), do governo federal. No entanto, as licitações de boa parte dos corredores atrasaram. Quando saíram, o Tribunal de Contas apontou diversas falhas, e editais tiveram que ser refeitos. Haddad argumenta que a falta de repasses deu passo lento a outras obras importantes de seu mandato.

 

Dos 20 CEUs prometidos, apenas um foi entregue; oito estão em obras e seis vão começar a ser erguidos em junho. Das 55 mil moradias, só 8.586 estão prontas –19 mil, diz, estão em construção.

 

Especialistas em habitação social criticam a dependência que prefeituras e Estados têm dos recursos do Minha Casa, Minha Vida como principal fonte de financiamento.

 

Com a drástica queda dos repasses do programa federal nos últimos dois anos, prefeitos que contavam com a verba ficaram na mão. Entre eles, Fernando Haddad.

 

Na eleição, uma das principais promessas do petista era levar para a cidade verbas federais. Na época, ele dizia que, depois de gestões municipais com pouco investimento federal, sua proximidade com a presidente Dilma garantiria os recursos. Não foi o que ocorreu, pois a maior parte do dinheiro não apareceu.

 

Haddad culpa a crise econômica. "Em 2013, quando criamos o plano de metas, ninguém imaginava o que estamos vivendo hoje. Ele foi criado com a perspectiva de crescimento econômico, não de recessão", justifica.

 

Outras metas não serão cumpridas integralmente, como a construção de creches. Neste caso, a prefeitura culpa a dificuldade de encontrar terrenos disponíveis (problema que já era conhecido) e a falta de verba federal.

 

Na área da saúde, o petista deverá entregar dois grandes hospitais e mais de uma dezena de unidades menores. Mas nem todas as 43 UBS (Unidades Básicas de Saúde) prometida serão finalizadas.

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